28.02.2026 às 11:45h - atualizado em 28.02.2026 às 11:51h - Geral
A sessão de julgamento da comarca de Chapecó, na sexta-feira, 27, foi marcada por debates intensos no encerramento de um caso de grande repercussão, ocorrido há quase sete anos na principal avenida da Capital do Oeste. Após 15 horas de trabalhos, a ré foi absolvida após comprovar inocência na acusação de tentativa de homicídio qualificado por uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e motivo fútil. A mulher foi acusada de ter mandado matar a atual companheira do ex-marido, na esperança de reatar o relacionamento.
Na parte da manhã, o conselho de sentença foi composto, por sorteio, por sete mulheres. Foram exibidos dois vídeos com depoimentos de testemunhas e outras duas pessoas foram ouvidas presencialmente. Após o intervalo para almoço, a tarde iniciou com interrogatório da ré, que optou em responder apenas às perguntas dos advogados. Depois das apresentações de acusação e defesa, cada uma com tempo máximo de uma hora e 30 minutos, houve a réplica do promotor de justiça, seguida da tréplica da defesa. Passava das 23h30 quando a sentença foi lida.
De acordo com a denúncia, a ré teria procurado uma cartomante em busca de reconciliação com o ex-marido. Como o feitiço - que custou cerca de R$ 300 mil - não deu certo, a cartomante teria proposto o homicídio da atual companheira do homem. Um atirador teria sido contratado pelo marido da cartomante para executar o crime e recebeu a orientação de simular um latrocínio (roubo seguido de morte).
Dos R$ 35 mil prometidos, R$ 15 mil foram pagos antecipadamente. Na tarde de 3 de junho de 2019, no Centro de Chapecó, três disparos atingiram a cabeça da vítima, que foi socorrida a tempo de se recuperar. O autor dos disparos, de nacionalidade paraguaia, fugiu em uma motocicleta e foi preso minutos depois. Ainda segundo a denúncia apresentada, a cartomante, então, exigiu mais dinheiro da mulher a fim de sair da cidade com o marido. Sob ameaça de morte contra ela e o neto, a mandante entregou cheques no total de R$ 800 mil, dos quais R$ 90 mil foram compensados.
Em 25 de novembro de 2021, o autor dos disparos foi condenado a 15 anos e oito meses de prisão, em regime fechado. Em maio de 2022, aconteceu o segundo júri do caso, em que a cartomante foi condenada a quatro anos de reclusão pelo crime de extorsão - por ter constrangido a mulher a efetuar pagamento de quantia econômica, mediante ameaça de morte contra ela e o neto. No mesmo júri, o marido da cartomante foi condenado a 12 anos de prisão, em regime fechado (processo em segredo de justiça).
Despedida
A última sessão do Tribunal do Júri de fevereiro, na comarca de Chapecó, também marcou o encerramento da atuação da juíza Mônica Fracari à frente da 1a Vara Criminal. A magistrada assume, na próxima semana, a Vara da Infância e Juventude da comarca, em virtude da remoção por antiguidade da juíza Surami Juliana Santos Heerdt para o cargo de 8º juiz especial da comarca da Capital.
Mônica permaneceu na 1a Vara Criminal por um ano e cinco meses. Somente em 2025, presidiu 35 sessões de júri. “Deixo a unidade com a certeza de que o trabalho realizado atendeu à comunidade, entregando atendimento judicial ágil e de qualidade. Com o mesmo compromisso, sigo para atender às demandas da Vara da Infância e Juventude, novamente, em busca da garantia dos direitos de todos”, reforçou.
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